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segunda-feira, 25 de julho de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Respeito e Dignidade


Discurso de Mary Griffith (Trecho do filme "Rezando por Bobby)

“Homossexualidade é um pecado. Homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se eles ao menos tentassem e tentassem de novo em caso de falha. Isso foi o que eu disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que ele era gay. Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo caiu. Eu fiz tudo que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou de uma ponte e se matou. Eu me arrependo amargamente de minha falta de conhecimento sobre gays e lésbicas. Percebo que tudo o que me ensinaram e disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido meu filho quando ele abriu o coração para mim... eu não estaria aqui hoje, com vocês, plenamente arrependida. Eu acredito que Deus foi presenteado com o espírito gentil e amável do Bobby. Perante deus, gentileza e amor é tudo. Eu não sabia que, cada vez que eu repetia condenação eterna aos gays... cada vez que eu me referia ao Bobby como doente e pervertido e perigoso às nossas crianças... sua auto-estima e seu valor próprio estavam sendo destruídos. E finalmente seu espírito se quebrou alem de qualquer conserto. Não era desejo de Deus que o Bobby debruçasse sobre o corrimão de um viaduto e pulasse diretamente no caminho de um caminhão de dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte do Bobby foi resultado direto da ignorância e do medo de seus pais quanto à palavra “gay”. Ele queria ser escritor. Suas esperanças e seus sonhos não deveriam ser tomados dele, mas se foram. Há crianças como Bobby presentes nas suas reuniões. Sem que vocês saibam, elas estarão ouvindo enquanto vocês ecoam ‘amém’. E isso logo silenciará as preces delas. Suas preces para Deus por entendimento e aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio e medo e ignorância da palavra ‘gay’ silenciarão essas preces. Então... Antes de ecoar ‘Amém’ na sua casa e no lugar de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se. Uma criança está ouvindo.” – Mary Griffith



CRAS "Maria Lourdes Dantas" - Carnaúba dos Dantas/: EXPOSIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO "PECULIARIDADES CULTURAI...

CRAS "Maria Lourdes Dantas" - Carnaúba dos Dantas/: EXPOSIÇÃO DO DOCUMENTÁRIO "PECULIARIDADES CULTURAI...: "A conteceu nesta quarta-feira dia 20/07/11 no CRAS de nossa cidade, a exposição do documentário 'PECULIARIDADES CULTURAIS DE UMA CIDADE IN..."

Exposição de gravuras digitais "Legião", do artista plástico João Werner

Exposição de gravuras digitais "Legião", do artista plástico João Werner

Exposição de gravuras digitais "Legião", do artista plástico João Werner


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Leonardo da Vinci - Notas sobre a pintura



Tratado de Pintura, reconstituído a partir dos manuscritos mais importantes de Leonardo, organizados por Francesco Melzi, seu amigo 
e aluno. Contéminstruções práticas e teóricas para pintores.





Diferença entre a pintura e a escultura

O pintor deve ter em conta dez considerações para levar a sua obra a bom termo, a saber: luz, sombra, cores, volume, figura, localização, 
distância, proximidade, movimento e repouso.
O escultor só deve considerar o volume, a figura, a localização, o movimento e o repouso. Não tem que se preocupar nem com a sombra nem 
com a luz, porque é a própria Natureza que as produz nas suas esculturas. Nem com a cor. A distância e a proximidade preocupam-no pouco.
 Ele recorre à perspectiva linear, e não à das cores, apesar das variações que as cores e a nitidez de contorno das figuras sofrem com a
 distância.
A escultura é um discurso mais simples e exige menos esforço ao espírito do que a pintura.

Pormenor de Mona Lisa



A literatura e o desenho

Com algumas palavras, escritor, igualarás na tua descrição a figura completa que o desenho restitui? Sem saberes, só tens uma descrição confusa e dás apenas uma ideia ténue da verdadeira forma das coisas; estás enganado se julgas que consegues satisfazer plenamente o ouvinte, se se trata de evocar coisas maciças envolvidas por uma superfície.
Convido-te a não te preocupares com as palavras, a menos que fales com cegos, se queres dirigir-te através da palavra aos ouvidos e não aos olhos das pessoas, trata das coisas da ordem da substância ou da natureza; não te preocupes com o que vem dos olhos para o fazeres passar pelos ouvidos; serás de longe ultrapassado pela pintura.
Descreverás com algumas palavras o coração sem encher um livro? Quanto mais te alongares nos pormenores, mais confundirás o espírito do ouvinte; terás sempre necessidade de comentários ou de voltar à experiência, mas esta é muito curta para ti, e tem pouca relação com o tema que desejas conhecer totalmente.

Estudo para Retrato de um Jovem



Aquele que despreza a pintura não gosta nem do saber nem da Natureza

Se desprezas a pintura, a única que pode imitar todos os produtos visíveis da Natureza, desprezas de certeza uma invenção subtil, que através 
dos seus raciocínios filosóficos e difíceis examina todas as qualidades das formas, os mares, os sítios, as plantas, animais, ervas, flores, todos
 eles banhados de sombra e de luz. E esta ciência é verdadeiramente a filha legítima da Natureza, porque foi a Natureza que a criou, mas, para 
sermos exactos, chamar-lhe-emos neta da Natureza, porque a Natureza produziu todas as coisas visíveis, e dessas coisas é que nasceu a 
pintura. Chamar-lhe-emos justamente neta dessa Natureza e parente de Deus.

Lírio, 1480. Pena e tinta sobre giz preto.





Variedade dos personagens nas composições com figuras

Nas composições com figuras, os personagens devem diferir pela compleição, a idade, a cor da pele, a atitude, a gordura, a magreza;
 gordos, magros, grandes, pequenos, orgulhosos, corteses, velhos, novos, fortes e musculosos, fracos e com poucos músculos, alegres, 
melancólicos; de cabelos frisados ou lisos, curtos ou compridos; de movimentos atentos ou vulgares; e varia os hábitos e as cores e tudo
 o que é necessário para essa composição. É um pecado capital para o pintor fazer rostos que se pareçam e até a repetição de gestos é um
 grande erro.

Estudo para a composição de A Última Ceia




O espelho é o mestre dos pintores

Para veres se a tua pintura, no conjunto, está em conformidade com aquilo que representas, pega num espelho e reflecte nele o modelo, e 
compara esse reflexo com a tua pintura, e examina bem, em toda a superfície, se as duas imagens do objecto se assemelham... E ao 
veres que o espelho pode, através de linhas, sombras e luzes, criar a ilusão do relevo, tu, que tens entre as tuas cores, sombras e luzes mais 
fortes que as do espelho, se as souberes combinar como deve ser, a tua obra parecer-se-á sem dúvida, também ela, com a realidade vista 
num grande espelho.



A pintura e os seus elementos

A pintura compreende duas partes principais: a primeira é a forma, ou seja, a linha que define as formas dos corpos e os seus pormenores; a
 segunda é a cor encerada nos limites destas.
A pintura compreende duas partes principais: o contorno que envolve as formas e os objectos pintados - aquilo a que se chama desenho - e a
 segunda, a que se chama sombra. Mas o desenho é de uma tal excelência que não explora apenas as obras da natureza, mas uma infinidade 
de outras que escapam a esta... Por isso, concluímos que o desenho não é só conhecimento, mas uma energia divina capaz de reproduzir todas 
as obras visíveis do Altíssimo.

Estudo de um Busto de Mulher, 1501. Sanguina sobre papel preparado cor-de-rosa.




Contra a maneira grega

A pintura mais digna de elogios é aquela que mais se parece com o que imita. Digo isto contra os pintores que pretendem corrigir as obras da
 Natureza, aqueles, por exemplo, que representam uma criança de um ano, cuja cabeça devia corresponder a um quinto da sua altura, e que
 a fazem corresponder a um oitavo; e apesar da largura dos ombros ser igual à da cabeça, eles fazem a cabeça duas vezes menos larga do
 que os ombros; e assim dão a uma criança de um ano as proporções de um homem de trinta. E tantas vezes praticaram e viram praticar este
 erro, e o hábito penetrou tão bem e fixou-se de tal modo na sua mente corrompida que eles se convencem de que a Natureza e aqueles que 
a imitam cometem um grande erro por não fazerem como eles.

Cabeça de Criança




O que são a sombra e a luz

A sombra é a ausência de luz ou simplesmente a oposição dos corpos opacos que interceptam os raios luminosos. A sombra é da 
natureza da obscuridade; a luz é da natureza do esplendor. Elas estão sempre junto dos corpos, e a sombra é mais forte do que a luz,
 porque pode impedir absolutamente a luz e privar totalmente os corpos dela, enquanto que a luz nunca pode eliminar toda a sombra
 dos corpos, pelo menos dos corpos opacos.
A sombra pode ser infinitamente obscura ou mostrar uma infinidade de matizes para o claro.
A sombra é a manifestação das formas dos corpos através destes.
As formas dos corpos não mostrariam as suas particularidades sem a sombra.

Manto para uma Figura Ajoelhada Vista de Perfil pela Direita



Os ombros devem ser sempre da cor do corpo a que pertencem.

Nenhum objecto nos surge na sua brancura natural, porque o local onde é visto o torna, a olho nu, mais ou menos branco consoante esse
 local é mais ou menos escuro. Aprendemos isto com o exemplo da Lua, que de dia parece muito pouco nítida no céu, e de noite é tão
 brilhante que persegue a escuridão como o Sol ou a luz do dia. Isto deve-se a duas coisas: a primeira é a tendência da Natureza para 
mostrar as imagens coloridas tanto mais perfeitas quanto mais diferentes são as cores; e a segunda, que a pupila é maior à noite que de dia,
 como foi provado...

Pormenor do Retrato de Cecilia Gallerani (Senhora com Arminho), 1490



A perspectiva linear

A perspectiva é a lei racional segundo a qual a experiência nos mostra que todos os objectos enviam a sua imagem ao olho por vias
 piramidais; e os corpos de igual grandeza formarão pirâmides mais ou menos pontiagudas consoante as suas respectivas distâncias.
 Chamo «vias piramidais» às linhas que partem das superfícies e dos contornos dos corpos e se encontram, vindas de longe, num pequeno
 ponto comum; chamamos ponto àquilo que não pode ser dividido de maneira nenhuma, e esse ponto, colocado no olho, recebe em si o
 cimo de todas as pirâmides.

Cabeça de Mulher



O azul das distâncias

Existe outra perspectiva a que chamo aérea, porque as diferenças de cor do ar podem permitir-nos avaliar as distâncias respectivas de vários
 edifícios cuja base é cortada por uma única recta, como se os víssemos do outro lado de um muro: imaginemos que eles parecem todos da
 mesma altura por cima desse muro, e que queres mostrar que uns estão mais afastados do que os outros e representá-los num ambiente 
bastante denso. Tu sabes que num tal ambiente, os objectos mais distantes que se vêem, como as montanhas, por exemplo, devido à 
grande quantidade de ar que se encontra entre elas e os teus olhos, parecem azuis, quase da cor do ar quando nasce o Sol. Darás, portanto,
 ao edifício mais próximo por cima desse muro a sua cor própria, e tornarás menos nítido e mais azul o que está mais longe. E aquele que
 queres mostrar mais longe ainda, fá-lo-ás mais azul; e aquele que estiver cinco vezes mais longe, fá-lo cinco vezes mais azul. E com esta
 regra os edifícios que parecem ter por cima uma linha do mesmo tamanho mostrarão claramente qual deles é o mais distante e consequentemente 
(na realidade) maior do que os outros.

Pormenor de A Virgem com o Menino e Sta. Ana, 1510



Tonalidade e valor

Cores diferentes podem receber de uma mesma sombra um mesmo nível de obscuridade. É possível que cores de toda a espécie sejam
 transformadas, por uma determinada sombra, na cor dessa sombra.
Isto está provado pela escuridão da noite nebulosa, onde não se distingue nenhuma figura ou cor de um objecto; e como a obscuridade
 não é mais do que a privação da luz incidente ou reflectida que faz com que se distingam todas as figuras e cores dos corpos, é inevitável 
que o efeito ou a percepção das cores ou figuras desapareça também quando a luz é totalmente suprimida.

Desenho de um Cão



A claridade favorável a cada cor

É preciso observar sob que aspecto é que uma cor é mais bela na Natureza: quando ela recebe reflexos, ou quando está iluminada, ou
 quando tem sombras intermédias, ou quando as tem obscuras, ou quando é transparente.
Isso depende da cor de que se trata, porque diversas cores são mais belas sob aspectos diferentes; vemos assim que o preto é mais belo nas
 sombras, o branco nas luzes, o azul, o verde e o castanho nas sombras intermédias, o amarelo e o vermelho na luz, o dourado nos reflexos e
 a laca nas sombras intermédias.

Pormenor de A Madona do Cravo




Beleza das cores

Para fazer uma bela cor verde, pega no verde (em pó) e mistura-o com betume e conseguirás assim as sombras mais escuras. Depois, para
 os verdes mais claros, mistura verde e ocre, e para o brilho, utiliza amarelo puro. Em seguida, mistura verde e açafrão-da-índia e faz um véu
 por cima de tudo.
Para fazeres um belo vermelho, usa cinábrio ou sanguina ou ocre queimado para as sombras escuras, e para as luzes usa vermelhão puro e
 cobre com laca fina.
Para fazer óleo bom para a pintura: uma parte de óleo e uma parte de terebintina destilada uma vez, e mais uma de terebintina destilada duas vezes.

Pormenor do Retrato de uma Desconhecida (La Belle Ferronière)", 1490. 




A transparência

Para as cores às quais queres dar maior beleza, começa por preparar um branco muito puro, e digo isto para as cores transparentes, porque
 para as que o não são o preparado branco não serve para nada. E isto aprende-se, por exemplo, nos vidros de cor que, colocados entre a
 vista e o ar iluminado, são de uma grande beleza, o que não acontece quando eles têm atrás de si o ar escuro ou outros negros.

Giovane Baco




Como se reconhece uma boa pintura e com que qualidades

A primeira coisa a considerar, se quiserdes reconhecer uma boa pintura, é que o movimento se coadune com o estado de espírito do ser que
 se move; em segundo lugar, que o relevo mais ou menos pronunciado dos objectos à sombra se ajuste às distâncias; em terceiro lugar, se as 
proporções (do corpo) correspondem às do todo; em quarto lugar, que a escolha das posições seja adequada à conveniência dos actos; em
 quinto lugar, que o pormenor da estrutura dos personagens corresponda à sua condição, ou seja, membros frágeis aos frágeis, fortes aos
 fortes, gordos aos gordos, etc.

Cabeça de Mulher




Como estudar os movimentos do homem

Os movimentos do homem aprendem-se com o conhecimento das partes do corpo e do conjunto de todas as posições dos membros e das 
articulações; em seguida, fixa mediante algumas anotações estenográficas os actos das pessoas, com as suas particularidades, sem que
 elas se apercebam de que as observas, porque se elas derem por isso, ficam intrigadas e o acto que antes ocupou todo o teu espírito perde
 energia; por exemplo quando dois homens coléricos discutem, e ambos julgam ter razão, mexem com muita violência as sobrancelhas, os
 braços e os outros membros, com gestos adequados às sua intenções e às suas palavras. Não conseguirá alcançar este resultado se lhes 
pedires que refreiem essa cólera, ou outra paixão como rir, chorar, dores, espanto, medo, etc. Traz sempre contigo um pequeno caderno de
 folhas de gelatina, e com a ponta de prata toma nota desses movimentos e também das atitudes dos assistentes e a sua distribuição; e isso
 te ensinará a fazer composições. E quando o teu caderno estiver cheio, põe-no de lado e guarda-o para os teus projectos, pega noutro e
 continua. Será uma coisa muito útil para a arte de compor, a propósito da qual farei um livro à parte que acompanhará o estudo das
 figuras e dos membros separados e das suas diversas articulações.

Estudos de Bebés




Do riso e do choro e do que os distingue

Não darás ao rosto daquele que chora os mesmos movimentos do que àquele que ri, apesar de (na realidade) eles serem muitas vezes
 parecidos; porque o bom método consiste em diferenciar, porque a emoção do riso é diferente da emoção do choro.
Naqueles que choram, as sobrancelhas e a boca variam consoante as diversas causas do choro; porque um chora de raiva, outro de medo e
 alguns de comoção e alegria, outros de inquietação, outros de sofrimento e de dor e outros por piedade ou por desgosto de terem perdido
 parentes e amigos; e entre estes choros, uns parecem desesperados, os outros moderados; alguns só deitam lágrimas, outros gritam e alguns 
erguem o rosto ao céu e baixam as mãos com os dedos entrelaçados; alguns são tímidos e levantam os ombros na direcção das orelhas, e
 assim sucessivamente, consoante as causas citadas.
Aquele que chora levanta as sobrancelhas do lado do dentro e contrai-as e faz rugas entre elas e por cima; os cantos da boca descaem; e 
quem ri levanta-os e as sobrancelhas abrem e separam-se.

Cinco Cabeças Grotescas, 1490. Pena e tinta.



Como pintar os tecidos

As figuras vestidas com um casaco não devem deixar transparecer as suas formas de modo a que o casaco pareça mesmo em cima da carne
 (a menos que não te importes); mas deves pensar que entre o casaco e a carne há outras roupas que impedem que a forma dos membros 
apareça a nu ou se note através do casaco. Quanto aos membros que fizeres transparecer, mostra-os aumentados, para que se adivinhem
 as outras roupas por baixo do casaco, e não deixarás que se descubra a dimensão quase exacta dos membros, excepto nas ninfas ou nos 
anjos, que se representam vestidos de tecidos finos e moldados pelo sopro do vento contra os membros destas figuras.

Estudo de Drapeado que Cobre umas Pernas. Pincel, bistre e realces de cor branca, sobre tela.

- In Leonardo da Vinci, Jean- Claude Frère, a partir de Léonard de Vinci, le «Traité de la Peinture», de André Chastel





«Sei muito bem que não sou letrado, e alguns presunçosos julgam que me podem envergonhar alegando que sou um ignorante. Que 
corja de estúpidos! (...) Eles dirão que a minha ignorância das Letras (latinas e gregas) me impede de me exprimir sobre o tema que
 quero tratar. Mas os meus temas, para serem expostos, exigem mais a experiência do que as palavras de outrem. E como a experiência 
foi a mestra daqueles que escrevem bem, eu escolho-a como mestra e recorrerei a ela em todas as circunstâncias. Muitos julgaram que
 têm motivos para me estigmatizar, alegando que as provas por mim avançadas contradizem a autoridade de certos autores que a sua análise destituída de experiência tem em grande conta, sem pensarem que as minhas conclusões são o resultado da experiência pura e simples
, a qual é a verdadeira mestra...»


«O Ar, assim que desponta o dia, enche-se de inúmeras imagens às quais o olho serve de  amante»


«Quem espera da experiência o que ela não possui diz adeus à Natureza e à Razão»


«Na Natureza, não há efeito sem causa; compreende a causa e só terás que fazer a experiência»


«Quando eu pensava que aprendia a viver, aprendia a morrer.»


«Penso muito no fim, considero o fim em primeiro lugar.»


«Tu, ó meu Deus, tu vendes-nos todas as coisas boas, mas a troco de um grande esforço.»


«O tempo dura bastante, para aqueles que sabem aproveitá-lo.»


«Ninguém tem o direito de prender sem processo um ser vivo, seja ele homem ou animal. Cada um recebeu de Deus a liberdade, e ninguém lha pode tirar.»



(Pensamentos de Leonardo da Vinci)








BIBLIOGRAFIA:
- "Leonardo da Vinci", Jean-Claude Frère, Ed. Livros e Livros.

http://www.fineartsites.org/

http://www.fineartsites.org/

Americano cria arte em 3D nas ruas de todo o mundo...veja isso!!!!

Antes de se dedicar à pintura, ele trabalhou dois anos na Nasa, criando simulações de paisagens extraterrestres, o que lhe rendeu ensinamentos sobre perspectivas e proporções antes de os computadores dominarem esse ofício Leia Mais




Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/bbc/945639-americano-cria-arte-em-3d-nas-ruas-de-todo-o-mundo.shtml

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Textos de Thereza Pires: Fernando Pessoa para sempre

Fernando Pessoa para sempre

Google Doodle faz homenagem ao 123º aniversário do poeta

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“Há um tempo em que é preciso abandonar a roupas usada, que já tem a forma do nosso corpo, e"Fernando Pessoa-Plural como o universo " comcuradoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenithe e o projeto assinado pelo cenógrafo Hélio Eichbauer chegou ao Rio em março para ocupar o espaço do Centro Cultural dos Correios e lá esteve até 22 de maio..

Outro presente editorial: lançado:"Dicionário de Fernando Pessoa e do modernismo português"(Editora Leya), organizado pelo especialista Fernando Cabral Martins,reunindo 80 colaboradores e 600 verbetes sobre o escritor (1888-1935) e sua obra.

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Dedico o texto abaixo à saudosa memória do Professor Catedrático da UFRJ José Carlos Lisboa,Mestre e Paraninfo que me abriu as portas do universo pessoano.
O Professor Lisboa honrou-com sua generosidade,senso de justiça e bom caráter- a delicada missão de ensinar.
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"O amor é que é essencial.O sexo é só um acidente.Pode ser igual ou diferente"
Três séculos e meio separam os maiores poetas da literatura portuguesa – o renascentista Luís de Camões (1524-1580) e Fernando Pessoa (1888-1935), introdutor do Modernismo em Portugal.
No entanto, a magnitude de suas obras lhes reservou um repouso comum no Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa.
Não existem indícios comprovados da sexualidade de Pessoa,apesar de ter escrito belos poemas homoeróticos em inglês, sua segunda língua. Jamais se casou embora tenha mantido um único romance epistolar em duas etapas: dois beijos em oito meses e, dez anos depois, alguns telefonemas durante 3 meses.
Frequentava o círculo transgressor, composto pelos amigos literatos e artistas e deixou 25.543 textos manuscritos e datilografados. Desde criança inventava alter-egos - os heterônimos - cada um com uma história pessoal e personalidade definida. Todos os heterônimos (oitenta e seis) possuíam um mapa astral feito pelo próprio Pessoa que, em virtude de dificuldades financeiras, chegou a pensar em ganhar a vida como astrólogo.
Em 1928, trabalhando como redator em propaganda, fez polêmica campanha de lançamento da Coca Cola, responsável pela interdição do produto em Portugal.
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Fernando Antonio Nogueira Pessoa, filho de Joaquim de Seabra Pessoa e de Maria Madalena Pinheiro Nogueira nasceu e morreu em Lisboa.
Órfão de pai aos 5, tendo a mãe se casado outra vez, em 1895, com João Miguel Rosa, consul português em Durban. A nova família mudou-se para a África do Sul onde nasceram seus outros irmãos e irmãs.
Ali, surgiram o primeiro heterônimo (Chevalier de Pas) e o primeiro poema, dedicado à mãe.Toda sua formação básica foi em inglês, influenciada por Shakespeare e John Milton. Aos 17 anos,
Pessoa voltou definitivamente para Portugal para ingressar na Universidade, mas, uma greve dos universitários, encerrou suas ambições. Nunca foi além de Sintra e Cascais, nos arredores de Lisboa, e fez apenas uma única viagem ao interior de seu país. Em 1908, começou a trabalhar para firmas comerciais como correspondente e alugou um quarto para morar sozinho.
A Editora Ibis
A morte da avó paterna lhe rendeu uma pequena soma em dinheiro que foi aplicada num projeto malogrado: a Editora Ibis. Tinha 20 anos e já estava falido.
Entre 1912 e 1915, quando o Modernismo dava seus primeiros passos em Portugal, o poeta era crítico literário das revistas 'Águia' - que fazia a apologia da Renascença Portuguesa - e 'Orpheu' - que congregava o grupo artístico mais importante da época: Alfredo Pedro Guisado, Armando Cortes Rodrigues, Mario de Sá Carneiro, Santa Rita Pintor, José Pacheco e Almada Negreiros, entre outros
Em 1918, a publicação do longo poema 'Antinous' (no mais refinado inglês) juntamente com os 35 Sonnets provocou questionamentos sobre sua sexualidade.
Escândalo nas Letras
Um verdadeiro escândalo foi desencadeado em 1915 com a publicação de O Marinheiro e Chuva Oblíqua e, como Alvaro de Campos, da Ode Triunfal e Ode Marítima, poesias consideradas homoeróticas.
Com apenas dois números publicados, a 'Revista Orpheu' fez o Modernismo chegar a Portugal e agitou a opinião pública durante meses. Nesta época, Pessoa estreita as relações com aquele que foi seu maior amigo: Mario de Sá Carneiro, que logo viajaria para estudar na Sorbonne, em Paris
A mínima convivência era compensada por uma frenética troca de correspondência. Pouco tempo depois, Sá Carneiro se suicidou, deixando um bilhete de adeus para o amigo.
Heterônimos
O gênio multifacetado de Pessoa já havia criado alguns heterônimos fixos:
*Álvaro de Campos, engenheiro naval e poeta modernista, autor da Ode Marítima, Tabacaria e dos mais chocantes poemas de Pessoa
*Ricardo Reis,um médico monarquista e conservador exilado no Brasil que 'morreu' em 1919, autor de pequenas odes
* Alberto Caeiro, falso naïf e anti - intelectual, que escrevia sobre as coisas óbvias da vida *Bernardo Soares,contabilista,autor do Livro do Desassossego, mistura de aforismos, ensaios, sonhos e ficção que, publicado 50 anos depois de sua morte, trouxe-lhe a definitiva consagração mundial.
Estes alter-egos continuam sendo estudados por alguns psicanalistas, que os consideram 'manifestação esquizofrênica'. Mas, por outro lado, lindamente arrumada em formato de arte.
A saudade da convivência com Sá Carneiro e o fechamento da revista Orpheu mergulharam Pessoa na maior solidão de sua vida. Durante o dia trabalhava como modesto escriturário e tradutor, à noite bebia e fazia poesia publicada em algumas revistas literárias, mas sem a menor repercussão.
Ophelia
Neste deserto de emoção apareceu uma brisa, na forma de primeira e única mulher que povoou sua vida sentimental - Ophelia Queiroz, 19 anos, igualmente funcionária do comércio. O romance, na primeira fase, durou poucos meses e, nas cartas,Pessoa começava a tratá-la como uma criancinha. Todos os críticos e estudiosos estão de acordo que este tom infantil não é inocente. Ophelia entra no jogo da 'infantilidade perversa' e da dupla personalidade, recebendo e respondendo cartas em que Álvaro de Campos a adverte que Fernando Pessoa não deveria ser levado a sério.
A mudança de Ophelia para o outro lado da Cidade, a morte do padrasto e a volta da mãe para Lisboa somados ao estado dos nervos do poeta, que se reconhece muito doente, arrefecem o pequeno entusiasmo que impulsionava a relação e, em 29 de novembro de 1920, uma lúcida e cruel mensagem encerra o namoro.
Dez anos depois aconteceu uma retomada, agora usando também o recurso da voz: já existiam telefones em Portugal.
Estranho amor
O crítico David Mourão Ferreira, que estuda as duas fases da correspondência amorosa, sugere que o fracasso desta aventura deveu-se à presença constante de Álvaro de Campos e que a relação de 1929-1930 era, na verdade, um ménage a trois virtual.
Ophelia, depois da natural fase de perplexidade, seguiu sua vida. A partir de 1936, começou a trabalhar no SNI - Secretariado Nacional da Informação - onde conheceu o teatrólogo Augusto Soares, com quem se casou em 1938, três anos após a morte de Pessoa.
Pessoa e a Propaganda
Em 1928, a agência McCann-Erikson decidiu lançar o refrigerante Coca Cola em Portugal. Com uma grande verba publicitária,
Pessoa foi contratado como redator e criador da campanha, já que trabalhava como tradutor nas correspondências da McCann com seus clientes portugueses.
O humor mordaz do poeta criou o slogan 'Primeiro estranha-se, depois entranha-se'. A campanha foi um sucesso, seguida de um enorme prejuízo financeiro.
O então Diretor de Saúde de Lisboa, Ricardo Jorge, entendeu que a mensagem publicitária era um explícito reconhecimento da toxicidade do produto e decretou a interdição de todo o estoque do refrigerante, que foi lançado ao
mar.
Renúncia voluntária
O regime fascista fez com que muitos intelectuais portugueses se auto-exilassem pelo medo da prisão ou por não mais suportar as atitudes do governo Salazar.
O irmão Luís Miguel, residente em Londres e naturalizado cidadão britânico, tentou convencê-lo a recomeçar a vida fora de Portugal.
Pessoa chegou a pensar em partir, mas cansado, com cirrose hepática e o organismo devastado pelo álcool, resolveu ficar.
O Premio Nobel de Literatura José Saramago escreveu em 1998 ”O ano da morte de Ricardo Reis, onde conta a vida do heterônimo depois da morte de seu criador.
O que trará o amanhã?
Fernando Pessoa, que fez parte de uma geracão que abalou o mundo, morreu quase no anonimato.
Monarquista, adotou a liberdade dentro do conservadorismo bem ao estilo inglês de sua formação básica. Era anti-reacionário, opositor ferrenho à Igreja de Roma, seguidor da Kabbalah, da Rosacruz, da Maçonaria e membro da Ordem dos Templários.
Autor de versos de amor sem nunca ter se realizado afetivamente. Esotérico, traduziu obras de teor espírita para a língua portuguesa.
Em 30 de novembro de 1935, horas após ter escrito em inglês suas últimas palavras - 'I know not what tomorrow will bring' (não sei o que o amanhã trará),faleceu no Hospital São Luís dos Franceses, no Bairro Alto.
Reconhecido como o maior autor português do século XX o amanhã trouxe-lhe a fama e a riqueza, que ele jamais teve oportunidade de usufruir.
E a imortalidade, celebrada mundo afora em 2005, nos 70 anos de sua morte. Mais uma vez no Brasil, na exposição do Museu da Língua Portuguesa e no Centro Cultural dos Correios no Rio e neste dia de seu nascimento- 123 anos depois- no maior site de busca da web .
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